sexta-feira, 7 de outubro de 2011

TODOS OS POVOS TÊM DIREITO DE RECEBER O EVANGELHO

(Is 25,6-10; Sl 22/23; Fil 4,12-14.19-20; Mt 22,1-14)
Neste segundo domingo do mês dedicado às missões queremos sublinhar o que o Papa Bento XVI diz na mensagem para o Dia Mundial das Missões: todos os povos têm direito a receber o anúncio do Evangelho. Se ouvir o Evangelho é um direito dos povos, anunciá-lo é um dever dos cristãos. E os povos têm direito a um Evangelho testemunhado integralmente e anunciado ecumenicamente, liberto das divisões e deformações provocadas pela história européia. As festas de Nossa Senhora do Rosário (dia 7) e Nossa Senhora Aparecida (dia 12) nos lembram o que significa encarnar a Boa Notícia na própria vida antes de anunciá-lo. E a memória do mártir jesuíta João Bosco Burnier (+12.12.1978) e de todos os/as mártires desta Pátria Grande (dia 11) sublinham que a luta para que todos possam viver bem pode nos levar a perder a própria vida. E não esqueçamos o que nos ensina o poeta, sonhador e humanista Che Guevara (+08.08.1968): a luta pela libertação não tem fronteiras e deve unir firmeza e ternura.
“O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces...”
Qual é a mensagem confiada aos cristãos para que seja anunciada a todos os povos? Não é, em primeiro lugar, uma doutrina bela e pesada, nem uma moral detalhada, mas uma boa notícia radicalmente libertadora: Deus é bom e, como atesta Isaías, promete levantar o véu de luto que cobre a cabeça dos povos e a mortalha que envolve o corpo das nações; sua presença enxuga as lágrimas de todas as faces e convoca e acolhe todos numa festa na qual os alimentos e bebidas são abundantes.
Mediante estas belas metáforas (levantar o véu ou a mortalha, enxugar as lágrimas e preparar uma festa alegre e fraterna), o profeta apresenta o rosto de um Deus que ama apaixonadamente seu povo e cada pessoa, faz aliança com ele e se mantém fiel, intervém ativamente para transformar as situações degradantes e opressivas. Em outras palavras, a mensagem é essencialmente o anúncio de que Deus não se compraz no sofrimento e na punição, nem assiste a história sentado passivamente num trono.
“Mandou seus servos chamar os convidados para a festa.”
O sonho de Deus é que a vida seja uma festa. Mas será que esta festa tem convidados prioritários? Uma leitura desatenta da parábola do evangelho de hoje poderia nos levar a concluir que sim. Para começar, é bom lembrar que esta parábola faz parte do mesmo conjunto literário das duas anteriores (Mt 21,18-32; 21,33-46). O foco temático deste conjunto literário é a rejeição da proposta de Jesus por parte da elite religiosa do judaísmo. As parábolas em questão têm esta elite como destinatário.
Jesus gosta de comparar o Reino de Deus com uma festa. Mas ele constata que nem todas as pessoas aceitam este convite, ou, quando aceitam, o fazem da boca para fora, por pura formalidade. Assim acontece com a liderança religiosa daquele tempo: não lhes agrada a aliança de Deus com a humanidade e, por isso, não dá a menor atenção ao convite que lhes é dirigido. Prefere ficar com leis e ritos que dividem e classificam as pessoas em boas ou más, judias e pagãs, filhos e cães...
Comer e beber juntos significa comungar os propósitos de Deus, e é isso que a elite não aceita. E de nada serve um segundo convite, pois o que pensam ser aqueles servos para interpelar um grupo que se sente superior aos comuns mortais? Ademais, os líderes religiosos não conseguem ver sentido nestas festas que não impõem barreiras, abertas a todas as pessoas. Até que participariam de uma festa, desde que fossem convidados de honra e com o objetivo de celebrar o poder e o privilégio de alguns.
“Ide para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes...”
O convite à festa do Reino é universal: todos os povos, todas as classes sociais, todas as pessoas. Há um grupo que não quer participar, não se importa com o convite e não vai, mas, ao menos da parte de Deus, a festa da Aliança não exclui ninguém. O que Jesus quer sublinhar com esta parábola é que, no pensamento de Deus, o mundo é inclusivo, que há lugar para todos na festa da vida. E ele nos escolhe e envia para fazer seu convite chegar a todos os destinatários.
Eis o dinamismo da missão que compromete a Igreja: anunciar que a festa está preparada e fazer o convite chegar a todas as pessoas, povos e classes. Por isso faz sentido o mandato de ir “para as encruzilhadas dos caminhos”. No mundo judaico, as encruzilhadas são os lugares onde os pobres se reúnem para mendigar, pois a vergonha e a pressão social os empuravam para esta margem. É prosseguindo nesta direção que a missão da Igreja encontra sua originalidade e sua autenticidade.
É bom recordar isso no momento em que a Igreja católica está propondo uma nova evangelização. Além de ser nova no seu método, esta evangelização não pode ser refém de uma visão eurocêntrica, tanto no conteúdo como nos destinatários. Infelizmente a tendência é esta. A ânsia de recuperar o campo perdido pode levar a Igreja a esquecer ou menosprezar as encruzilhadas, onde se encontram os marginalizados do primeiro mundo, e os porões ,e onde são jogados as pessoas do terceiro mundo.
“Como entrates aqui sem o traje da festa?”
Mesmo que o convite não comporte nenhuma forma de exclusão, na festa da vida não se pode entrar de qualquer jeito. Aqueles/as que fazem o convite – os missionários/as e evangelizadores/as de todos os tempos e quadrantes – não discriminam ninguém: convidam bons e maus, judeus e pagãos, homens e mulheres, escravos ou senhores, povo ou elite, negros ou brancos, europeus ou africanos, hétero ou homossexuais... Esta é a tarefa confiada aos mensageiros.
Quanto às pessoas que aceitam o convite e comparecem à festa, estas precisam se perguntar se, por suas atitudes, opções e práticas honram o anfitrião. Aqueles/as que aceitam ser discípulos/as e missionários/as de Jesus Cristo precisam demonstrar com a vida que o são. Não podem tomar a estrada larga e fácil da indiferença e do individualismo. E a Igreja não pode se alegrar ingenuamente com as multidões que lotam seus templos, sem se perguntar pela qualidade do discipulado destes fiéis.
A pergunta “amigo, como entraste aqui sem o traje da festa?” é dirigida a nós, e é séria. Aqui quem está em questão não é mais a elite do judaísmo, mas os ministros e agentes e líderes da Igreja. O sujeito surpreendido com traje inadequado ficou sem palavras, como acontecera com os saduceus questionados por Jesus (cf. Mt 22,34). Infelizmente encontramos gente (padres e leigos) nestas condições em nossas celebrações e demais atividades pastorais ou administrativas...
“Tudo posso naquele que me dá força.”
Os/as missionários/as e evangelizadores/as podem contar com algo mais potente que suas próprias forças e estratégias. Sabemos que somos pessoas como todas as outras, com as mesmas fragilidades e pecados. Apenas não nos conformam com a passividade e a indiferença, e achamos que vale a pena fazer o convite de Deus chegar a todos os destinatários. E isso mesmo que, às vezes, aqueles que aceitam o convite e comparecem à festa (litúrgica) encontrem leis, barreiras e arbitrariedades.
Como experimentou Paulo, o apóstolo das nações, é preciso aprender viver na penúria e na abundância, confiando que Deus, segundo sua generosidade, em Cristo Jesus, proverá magnificamente a todas as nossas necessidades. “Tudo posso naquele que me dá força”, diz o apóstolo. E isso significa que o/a missionário/a é alguém que não pode contar apenas com os recursos pessoais e das estruturas eclesiais. A força e a lucidez indispensáveis vêm de Deus, da Palavra, dos sacramentos.
Mais ainda que os/as missionários/as, quem experimenta a força criativa e inaudita que vem de Deus são os/as mártires. É uma força que os leva a lugares que não pensavam ir, que lhes dá uma coragem que não conheciam, que lhes concede uma sabedoria que nenhum livro é capaz de dar, que suscita neles um amor quase inacreditável e uma sede de justiça que tudo consome.
“Unges com óleo minha cabeça, meu cálice transborda.”
Deus, pai e mãe, que desde sempre preparas a festa da vida e desejas que todos os povos convidados tomem um lugar à tua mesa. Continua e enviar mensageiros/as, a fim de que este convite chegue aos destinatários, especialmente aos porões e quintais do mundo, onde aqueles/as que são tratados/as como últimos estão à espera. Guia os teus enviados/as e restaura as forças deles. Abre a mente e o coração das pessoas convidadas e faz com que tua Igreja mantenha abertas suas portas e janelas a todos os povos, culturas e classes sociais, sem impor condições. Assim seja!
Pe. Itacir Brassiani msf

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Prevenção na 37ª Romaria de Nossa Senhora Conquistadora














“Com Maria Aprender a rezar a Palavra de Vida”, tema que levou fiéis às ruas da cidade de Bagé para a 37ª Romaria de Nossa Senhora Conquistadora.

A ensolarada manhã de Domingo, 25 de setembro, reuniu aproximadamente 10 mil fiéis na cidade de Bagé, fronteira com Rio Grande do Sul. Os fiéis saíram da Catedral São Sebastião, acompanhados da imagem de Nossa Senhora Conquistadora, até o Santuário onde foram recebidos pelos bispos Dom Gílio Felício e Dom José Mario, juntamente com diversos sacerdotes da região.

O evento contou com a participação de diversas dioceses do Estado, como: Pelotas, Rio Grande, Guaíba, Representantes das cidades Uruguaias - Melo e Taquarembó, além da presença da Pastoral da Aids e Casa Fonte Colombo lembrados na Missa da Benção da Saúde pelo Padre Elautério Júnior, reitor do Santuário.

Na oportunidade foi colocado um Stand com materiais informativos da Casa Fonte Colombo e a Pastoral da Aids. Frei Eduardo pode conversar com os Romeiros sobre HIV, Aids e DST, além de divulgar a Campanha de incentivo ao diagnóstico precoce.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"TUA PALAVRA DÁ SABEDORIA AOS SIMPES."


“É como a chuva que lava e como o fogo que abrasa... Tua Palavra é assim: não passa por mim sem deixar um sinal.” Este refrão que cantamos frenquentamente expressa uma experiência, um desejo e uma promessa. Para que seja assim é necessário um exercício prolongado, uma atenção concentrada, uma sensibilidade afinada e uma permanente revisão de vida. A Igreja do Brasil nos ajuda neste propósito oferecendo um mês inteiro de para despertar nosso gosto pela Palavra de Deus e nossa atenção a um Deus que dialoga conosco. Sem os exageros patrióticos da Semana da Pátria e o romantismo às vezes ingênuo da Semana Farroupilha, entramos primavera adentro atentos à Palavra viva de Deus. Todos os domingos Deus tem um encontro marcado conosco. E, como nos recorda o salmista, sua Palavra torna sábias as pessoas simples (cf. Sl 119/118,130).
“Mostra-me, Senhor, os teus caminhos...”
No horizonte das relações humanas, dar atenção à palavra significa valorizar a pessoa que fala. Mais importante que a palavra e o conteúdo, é sempre a pessoa que fala. Assim também em relação à Palavra de Deus! A atenção à Palavra de Deus está a serviço da nossa relação com Deus. Quando separamos a Palavra e Deus corremos o risco de reduzi-la a um discurso vazio, frio e estéril. E então a Palavra que era viva pode se tornar doutrina pesada e letra que mata.
O Concílio Vaticano II nos ensina que Deus sempre fala depois de ouvir, e o faz dialogando, como amigo que se entretém conosco e nos convida a participar da sua intimidade. Como nos encontros entre amigos/as, sua Palavra não é prioritariamente discurso, doutrina ou ordem, mas diálogo interpessoal sobre coisas importantes e decisivas que interessam e mexem com a vida de ambos. Com frequência, o próprio encontro é mais importante que a palavra.
A Palavra de Deus não é uma palavra a mais no meio ou acima das palavras humanas: é a percepção do sentido absoluto e transcendente das palavras e acontecimentos humanos. Deus diz sua palavra mediante as palavras e ações dos homens e mulheres na história. A Palavra consignada no texto bíblico atua como despertador que nos acorda para escutar a Palavra de Deus escrita na vida e para seguir sua orientação. Bíblia e vida estão unidas de forma indissociável.
“Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha!”
A palavra dialogal é sempre uma proposta que espera resposta. É um convite que espera ressonância. Mesmo quando se apresenta como uma ordem, a palavra conta com a livre decisão do interlocutor. Uma palavra imperativa, que vem de cima e sabe somente dar ordens, que não se interessa com a resposta, que desconhece os tempos indicativo e subjuntivo, tem jeito de imposição, infantiliza e não constrói pessoas livres.
Jesus Cristo, a Palavra de Deus feita carne e história, é em si mesmo e em tudo o que diz e faz, convite e apelo que traz a força daquele que a pronuncia. Este convite tem autoridade e mobiliza porque vem de Alguém que se faz um de nós, se torna igual a nós em tudo, assume e pronuncia a palavra do simples ser humano, com seus sonhos e necessidades. “Vai trabalhar hoje na minha vinha...” Jesus é palavra que convoca à ação, a assumir nossa responsabilidade no mundo e na história.
“Sim, Senhor, eu vou!”
Às vezes pressupomos muito rapidamente que nossa resposta à Palavra de Deus é positivamente inequívoca. Quem poderia duvidar disso se ainda no colo da mãe fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Afinal, frequentamos a catequese, fizemos a primeira comunhão solene e recebemos a unção crismal... E iniciamos sempre cada dia pedindo que o Senhor abra nossos lábios para que nossa boca proclame seu louvor...
Mas isso pode ser apenas aparência e formalidade. A crítica de Jesus aos fariseus, sacerdotes e doutores da lei é paradigmática e nos coloca de sobreaviso. Aqueles que se sentem orgulhosamente os primeiros ouvintes e praticantes exemplares da Palavra de Deus na verdade são como filhos que dizem sim à ordem do pai, mas se recusam a fazer o que ele pede. É uma séria advertência dirigida a nós. Em que medida também nós aderimos a Deus apenas da boca para fora?
Creio que nós não estamos livres dessa tentação. Corremos o risco de ficar na superfície, na aparência. Não faltam homens e mulheres de Igreja, leigos/as e consagrados/as que estudam cientificamente a Palavra de Deus, conhecem o contexto e o texto, o gênero literário e as teorias literárias, mas não conseguem passar do cérebro ao coração e às mãos. Lavam as mãos e se desculpam diante da urgência de cuidar da vida dos irmãos e irmãs. Dizemos sim com a boca e não com a vida.
“Mas depois arrependeu-se, e foi...”
E há pessoas que dizem não à Palavra de Deus, mas só aparentemente. Alguns não frequentam muito assiduamente as celebrações nem consideram relevantes as muitas palavras do ensino da Igreja. Outros se opõem abertamente à Igreja e às religiões. Muitos amargam experiências de pobreza, marginalização e exclusão. Alguns até tiveram um percurso existencial tumultuado, com matrimônios desfeitos, vida familiar arruinada e várias tentativas de recomeço.
Uma parte consideravel dessa gente que diz a Deus um não aparente, pois se empenha de corpo e alma na tarefa de humanizar o que lhes sobra de vida e de evitar que o mundo se corrompa ainda mais. Começam pelo terreno da própria vida e do círculo de pessoas que se congregam na família. Militam em associações, movimentos, sindicatos e partidos não isentos de contradições, mas orientados ao bem comum. O não inicial e público deles se revela um sim prático e anônimo.
Mas outras tantas pessoas sequer conseguem crer em si mesmas e nas possibilidades de mudança. Não se consideram merecedoras de absolutamente nada e parecem ser uma negação absoluta de tudo o que possa ser bom e desejável. São como as prostitutas e os publicanos do tempo de Jesus. A elas é o próprio Deus que diz um sim claro e retumbante: sim à sua dignidade, sim à sua inclusão, sim ao seu desejo de uma vida mínima. Essas pessoas são acolhidas na primeira classe do Reino!
“Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte...”
Jesus Cristo é o sim de Deus às aspirações profundas da humanidade, especialmente das diversas categorias de oprimidos. Nele Deus se faz avalista dos sonhos de dignidade, igualdade e liberdade que nos habitam. Ele responde positivamente ao convite para trabalhar na vinha de Deus, para cuidar das ovelhas perdidas de todos os tempos e lugares. Seu sim não foi apenas da boca pra fora e nem uma resposta provisória e estratégica.
Jesus é também um sim a Deus. Seu sim ao Pai se expressa, tanto quanto no cuidar das pessoas e transformar as estruturas mentais, religiosas e políticas, no esvaziamento de toda superioridade prepotente, na eliminação de todo distanciamente prudente, no movimento de fazer-se próximo e ocupar um lugar ao lado dos últimos. Seu sim se mostra na identificação com todos os seres que morrem, mas especialmente com os que são torturados e condenados à morte violenta.
“Tenham em vós o mesmo sentir e pensar que havia no Cristo Jesus.”
O sim de Jesus e o esvaziamento ao qual este sim conduz não são uma ascese vazia que despreza a vida, mas um movimento de aproximação daquilo que é humano, de amor ativo e solidário, de verdadeira humanização. Paulo nos convida a assumir a postura de Jesus, a cultivar seu dinamismo, seus sentimentos. Ele nos ajuda a fim de que nosso sim à vida e aos irmãos que se mantenha no tempo. Ele abre um caminho no qual os pobres são tratados conforme o direito e os pecadores têm vez.
Deus pai e mãe, através do teu filho e nosso irmão Jesus continuas dirigindo-nos tua palavra-convocação. Às vezes esta palavra-convite nos desconcerta. Teu filho parece exagerar quando afirma que as pessoas tratadas como pecadoras precedem as ‘pessoas de bem’ no teu Reino. Isso não nos parece justo. Que Ezequiel nos ensine que os errados somos nós, e não tu. Que São Vicente de Paulo e São Jerônimo, cuja memória celebramos nesses dias, nos convençam de que este é um caminho possível, pois eles o percorreram. Que eles intercedam por nós e por toda a Igreja. Assim seja!
Pe. Itacir Brassiani msf

sábado, 17 de setembro de 2011




Explicação sobre a Logomarca do Ano Clariano Segundo o autor:
“Santa Clara está em uma atitude de Contemplação, de leveza e alegria,seu corpo esta em forma de TAU,a marca dos eleitos e que Francisco de Assis toma como seu sinal predileto.


A Eucaristia está no coração de Clara, representando assim a centralidade do Cristo Pobre em sua vida.


A Igrejinha de São Damião recorda sua vida na clausura, a Clara de ontem.

A lâmpada acessa, a vida precisa de luz do mundo, a Clara de hoje.

O Globo, lembra a dimensão de sua espiritualidade espalhada no mundo inteiro, com único objetivo, a unidade da pessoa humana, da Ordem, da Igreja e do Mundo.

Os pássaros, recordam a liberdade sonhada e vivida por Francisco e Clara.


No hábito alguns traços da simplicidade, e da pobreza vivida por Clara, como conseqüência de sua identificação com o Cristo pobre.


No mapa se destaca a América uma vez que o evento.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Dia em que Celebramos o Dia da Vida Religiosa






É hoje, DIA EM QUE CELEBRAMOS O DIA DA
VIDA RELIGIOSA

Todos somos consagrados desde nosso batismo, mas hoje a homenagem vai para aqueles e aquelas que deixaram tudo e partiram cumprindo o chamamento de Deus a uma missão específica na Igreja. Dos consagrados pelo batismo, Cristo Consagra alguns para viverem a missão religiosa de uma forma mais intimamente unida a Si mesmo, na oferta do tudo que são como dom recebido de Deus e ofertado por amor da Humanidade. A consagração religiosa é o seguimento evangélico de Cristo. Ele chama pessoalmente a uma vocação, chama a viver como Ele, tornando-nos assim participantes da sua missão evangelizadora.
A Consagração não é uma iniciativa humana, mas divina onde o Consagrado assume na sua vida a vida de Cristo, os seus riscos e esperanças, as suas preocupações e o seu projeto existencial, as suas atitudes vitais e essenciais. Ser Consagrado é sentir-se em relação íntima e direta com Deus e levá-lo aos outros onde Ele nos envia, com carismas e missão pessoais e comunitárias. Ser Consagrado é entregar-se nesta confiança absoluta de que Deus cuidará de cada uma de cada um, é deixar-se possuir livremente por Ele, acolher alegremente, e com a vitalidade que as forças humanas permitem a ação santificadora de Deus, consentindo-a de forma a podermos dar e dar-nos a nós mesmos sem reservas, como resposta amorosa à auto-entrega de Deus sob o impulso da Sua graça.

Deus abençoe você e sua missão.

Fraternamente recebam nosso abraço neste dia especial.


Coordenação dos Religiosos da Área Navegantes Floresta.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CASA ARRUMADA





Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"CUIDEM DO REBALHO DE DEUS COM GENEROSIDADE..."

A vida é uma travessia e viver é caminhar. As travessias constumam ser perigosas e assustam. Há quem prefira evitá-las sempre, pois pensam que o risco do mar revolto não compensa. São pessoas que fecham os ouvidos a todo todo e qualquer chamado; padres que desempenham sua missão pastoral como uma atividade qualquer ou até como uma carreira; pais que se recusam a avançar na tarefa de repensar a forma de realizar essa exigente missão; fiéis que preferem as velhas e potentes imagens de Deus ao desafio de descobri-lo na brisa leve da luta pela justiça. Iniciando o mês vocacional e celebrando a vocação presbiteral, coloquemo-nos à escuta do Senhor e acolhamos a palavra que o velho e experimentado Pedro dirige aos presbíteros: “Cuidem do rebanho de Deus que lhes foi confiado, não por imposição, mas por livre e espontânea vontade, como Deus o quer, não por causa de lucro sujo, mas com generosidade; não como donos, mas como modelos para o rebanho” (1Pe 5,2-3),

“Sai e permanece sobre o monte, diante do Senhor.”
Os discípulos imaginavam um Deus indiferente às necessidades dos famintos ou suficientemente poderoso para resolver sozinho todas as dificuldades do povo. É a imagem de Deus que predomina nas diversas religiões. Mas Jesus revela-se um Deus compassivo com os pobres, um Deus que tem necessidade da nossa colaboração – nem que seja apenas cinco pães e dois peixes! – na sua ação libertadora. Ele nos convida a superar o medo e confiar na sua presença em todas as travessias.
Deus continua se manifestando aos que nele esperam. Ele não exclui nenhum lugar, mesmo os mais imporváveis. Deus se faz ativamente presente nos desertos que atravessamos hoje: na travessia noturna dos mares ameaçadores de um mundo que globaliza a exploração e ergue muros contra os migrantes; nas cavernas onde nos escondemos para fugir da profecia; na brisa suave da ternura das mãos que se estendem e dos corpos que se encontram.
A revelação de Deus pode ser percebida mais claramente nos movimentos de passagem: do Egito para a terra prometida; do centro para a periferia; da auto-suficiência para a entre-ajuda; do eu para o nós; da aparente segurança das cavernas para o descampado estimulante da montanha; do poder para o serviço; do peso das estruturas eclesiásticas para a leveza e a criatividade do Espírito. Parece que Deus não gosta de se estabelecer. Agrada-lhe mais o movimento que os templos.

“E gritaram de medo...”
As imagens de um Deus poderoso e ameaçador ainda não se apagaram da nossa memória. Ensinaram-nos que Deus se revela no poder destruidor dos terremotos, no fogo devorador das ideologias totalitárias, no mistério aterrador dos furacões, nos pesados decretos que comendam, na dura punição aos que erram. Deus seria onipotente, onisciente e onipresente, e quanto mais poder ou saber alguém possui, mais se pareceria com ele...
Diante de um Deus com estas características, caímos por terra ou gritamos de medo. E do ventre do medo não costuma nascer o amor que se faz dom mas a agressividade da autodefesa ou da dominação. Um Deus com tais traços é um fantasma, uma fantasia que se abriga nas pessoas que não superaram o desejo infantil de onipotência. E este fantasma, via de regra, está a serviço das diversas formas de dominação e de infantilização religiosa, econômica e política.
Como deixa claro o episódio de Pedro, o qual não escondeu seu desejo de participar da presumida onipotência de Deus e de caminhar sobre o mar, este desejo vem sempre ameaçado pelo medo. E é exatamente o medo dos ventos contrários e das diferenças que gera a dúvida e nos leva a afundar, tanto em termos humanos como espirituais. Isso soa como uma advertência aos padres, sempre tentados pelo sentimento de superioridade e pela vontade de vagar por cima da condição humana.

“Ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa...”
Elias debateu-se contra a visão de um Deus que se revela no poder e na ameaça. Ele teve que sair desta espécie de gruta fechada e se expor à suavidade da brisa para experimentar o verdadeiro rosto de Deus: um Deus que se manifesta como nuvem que ilumina os caminhantes na noite e os protege do sol durante o dia; que ouve o grito dos oprimidos se compadece dos famintos e humilhados; que se mostra mais como amor que como poder, mais como humilde sábio que como doutor.
O medo não nasce da verdadeira experiência de Deus, mas de uma imagem parcial ou confusa de Deus. É isso que vemos na história dos discípulos que deveriam atravessar o mar. A força do vento e das ondas que fustiga a barca como a tirania dos poderosos, somada à idéia de um Deus que caminha sereno e indiferente sobre as ondas, arranca-lhes gritos de pavor. E a dúvida sobre a divindade de um Jesus frágil e compassivo leva Pedro a afundar apavorado.
A experiência de Deus gera paz porque sua glória é sua infinita compaixão. Nele a Verdade se encontra com a Misericórdia e a Paz abraça e beija a Justiça. A Justiça faz a vez de caravana de batedores que o precede, e a Libertação ocupa o lugar do séquito que lhe presta homenagem. Deus não se manifesta no vento que ameaça; sua presença é sensível na calmaria. Ele é como um padre/pastor, cuja autoridade reside na mão estendida para orientar, proteger, sustentar e ajudar.

“Misericórdia e Verdade se encontram...”
Desde o inicio do seu ministério, o Papa Bento XVI vem enquandrando suas reflexões e propostas pastorais no conceito de Verdade. Numa das meditações sobre a vocação presbiteral, inspirado no capítulo 17 do evangelho segundo João, ele fala do padre como homem consagrado na Verdade e a serviço da Verdade. É uma bela perspectiva, mas comporta o risco de identificar muito facilmente a doutrina da Igreja com a Verdade eterna e a pregação do padre com a doutrina da Igreja.
Mas Bento XVI propõe prudentemente: “A nossa vida torna-se autêntica, verdadeira e também eterna, se conhecermos Aquele que é a fonte de todo o ser e de toda a vida. Assim a palavra de Jesus torna-se para nós convite: tornemo-nos amigos de Jesus, procuremos conhecê-Lo cada vez mais! Vivamos em diálogo com Ele! Aprendamos d’Ele a vida reta, tornemo-nos suas testemunhas! Tornar-nos-emos assim pessoas que amam e agiremos de modo justo. Então viveremos verdadeiramente.”
Além disso, na linha do Salmo 84/85, lembremos que, na perspectiva da ação de Deus que os padres são chamados e mediar, “misericórdia e verdade se encontram, justiça e paz se abraçam”. Aqui não há lugar para um sacerdócio que coloca a fria justiça à frente d a paz condescendente ou dá prioridade à firme verdade doutrinal em detrimento de um relacionamento essencialmente misericordioso. Na vida do padre-pastor, misercórdia e verdade, paz e justiça devem andar de mãos dadas.

“Homem de pouca fé, por que duvidastes?”
Jesus insistiu muito na relação profunda entre a imagem de Deus e a figura do pastor. Podemos até dizer que a missão essencial de Jesus consistiu em revelar os traços de um Deus que age como um pai e como um pastor bom e generoso. Inversamente, podemos dizer que aos padres e pastores cabe a grave tarefa de ser uma espécie de sacramento de Deus para a comunidade de fé da qual ele mesmo é membro, de tornar visível e palpável a compaixão de Deus na terra.
Paulo lamenta que seus irmãos de raça e sangue tenham se apegado às leis, à religião, às instituições e às promessas como se fossem um privilégio que os colocam acima dos demais seres humanos e fora das peripécias e exigências da história. A filiação é um dom que carregamos como tesouro em um vaso de barro. Nem todos aqueles/as que ostentam o título de cristãos o são de fato. E, infelizmente, nem todos aqueles que se fazem chamar de padres e pastores o são realmente e em profundidade...
Deus, pai e mãe, presença amorosa e encorajadora em todas as humanas travessias: te pedimos hoje por estes homens que chamas para perto de ti, formas segundo o teu coração e colocas como pastores em meio ao teu rebanho. Tu conheces a generosidade e a ambiguidade, a coragem e o medo de cada um de nós. A tentação continua nos levando a te procurar no fogo, no terremoto, na ventania. Vem ao nosso encontro como calmaria! Socorre nossa pouca fé e cura as dúvidas do nosso coração e os desvios do nosso afeto. Ensina-nos a cuidar do rebanho que é teu, colocando-nos no meio dele e guiando-o como modelos de vida, e não como patrões e senhores. Assim seja!
Pe. Itacir Brassiani msf