domingo, 5 de julho de 2009

Santa Maria Goretti(06 de Julho)

A Igreja, neste dia, celebra a virgem e mártir que encantou e continua enriquecendo os cristãos com seu testemunho de "sim" a Deus e "não" ao pecado. Nascida em Corinaldo, centro da Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus. Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: "Não, não, Deus não quer; é pecado!" Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em Deus, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas, enquanto da parte de Goretti, percebemos a santidade, na confidência à sua mãe: "Sim, perdôo... Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa... quero que ele esteja junto comigo na glória eterna". O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na praça de São Pedro na ocasião da canonização desta santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também. Santa Maria Goretti manteve-se uma menina pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo

sexta-feira, 3 de julho de 2009

São Tomé

Embora na nossa memória a presença de são Tomé faça sempre pensar em incredulidade e nos lembre daqueles que "precisam ver para crer", sua importância não se resume a permitir a inclusão na Bíblia da dúvida humana. Ela nos remete, também, a outras fraquezas naturais do ser humano, como a aflição e a necessidade de clareza e pé no chão. Mas, e principalmente, mostra a aceitação dessas fraquezas por Deus e seu Filho no projeto de sua vinda para nossa salvação. São três as grandes passagens do apóstolo Tomé no livro sagrado. A primeira é quando Jesus é chamado para voltar à Judéia e acudir Lázaro. Seu grupo tenta impedir que se arrisque, pois havia ameaças dos inimigos e Jesus poderia ser apedrejado. Mas ele disse que iria assim mesmo e, aflito, Tomé intima os demais: "Então vamos também e morramos com ele!" Na segunda passagem, demonstra melancolia e incerteza. Jesus reuniu os discípulos no cenáculo e os avisou de que era chegada a hora do cumprimento das determinações de seu Pai. Falou com eles em tom de despedida, conclamando-os a segui-lo: "Para onde eu vou vocês sabem. E também sabem o caminho". Tomé queria mais detalhes, talvez até tentando convencer Jesus a evitar o sacrifício: "Se não sabemos para onde vais, como poderemos conhecer o caminho?". A resposta de Jesus passou para a história: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim". E a terceira e definitiva passagem foi a que mais marcou a trajetória do apóstolo. Foi justamente quando todos lhe contaram que o Cristo havia ressuscitado, pois ele era o único que não estava presente ao evento. Tomé disse que só acreditaria se visse nas mãos do Cristo o lugar dos cravos e tocasse-lhe o peito dilacerado. A dúvida em pessoa, como se vê. Mas ele pôde comprovar tanto quanto quis, pois Jesus lhe apareceu e disse: "Põe o teu dedo aqui e vê minhas mãos!... Não sejas incrédulo, acredita!" Dessa forma, sua incredulidade tornou-se apenas mais uma prova dos fatos que mudaram a história da humanidade. O apóstolo Tomé ou Tomás, como também é chamado, tinha o apelido de Dídimo, que quer dizer "gêmeo e natural da Galiléia". Era pescador quando Jesus o encontrou e o admitiu entre seus discípulos. Após a crucificação e a ressurreição, pregou entre os medos e os partas, povos que habitavam a Pérsia. Há também indícios de que tenha levado o Evangelho à Índia, segundo as pistas encontradas por são Francisco Xavier no século XVI. Morreu martirizado com uma lança, segundo a antiga tradição cristã. Sua festa é comemorada em 3 de julho.

terça-feira, 30 de junho de 2009

sábado, 27 de junho de 2009

Pra construir um mundo novo o Senhor nos enviou, Aleluia!”
(At 12,1-11; Sl 33/34; 2Tm 4,6-8.17-18; Mt 16,13-19)

Estamos nos aproximando do fim do mês dos santos populares. Somos todos/as chamados/as a ser santos e a ser populares. O concílio Vaticano II sublinhou esta vocação à santidade apresentada por Jesus a todos aqueles/as que desejam segui-lo: “Sejam perfeitos como é perfeito o pai de vocês que está no céu” (Mt 5,48). Celebrando São Pedro e São Paulo a comunidade eclesial inteira – leigos e leigas, religiosos e religiosas, diáconos, padres e bispos – recorda dois de seus mais ilustres membros e se propõe a responder de modo criativo e atualizado ao chamado à santidade e a ser povo de Deus. E não esquece de se unir numa suplicante oração pelas testemunhas que, como Pedro e Paulo, são também hoje perseguidas por ousarem viver diferente. Elas descobriram que são enviadas para construir um mundo novo, e querem responder positivamente a esta missão.
“O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças”
Pedro teve muita dificuldade de crer em Jesus Cristo, aceitar sua proposta de vida e testemuhá-lo publicamente. Chegou a renegá-lo diante das autoridades. No primeiro momento, Paulo considerou o cristianismo uma heresia e, por isso, perseguiu muitos cristãos e os levou à prisão. Tanto para Pedro como para Paulo, a fé foi um caminho árduo, marcado por crises, rupturas e buscas.
A convocação à santidade é um chamado dirigido a homens e mulheres normais, a pessoas humanas comuns. A santidade supõe a humanidade de cada pessoa e sua vulnerabilidade, se edifica sobre a abertura que ela mantém, e jamais prescinde dela. É no árduo caminho que dá à luz verdadeiros homens e mulheres que s chega a ser santo ou santa. “Pra construir um mundo novo, o Senhor nos enviou, Aleluia!”
Por isso, a santidade não é como uma medalha que coroa o meritório esforço de um atleta numa olimpíada. Na origem da bondade e do amor que serve sempre está a graça de Deus. É ele fortalece na debilidade, perdoa nos tropeços e estimula no desânimo. A santidade não é a dissimulação ou a negação dos limites humanos, mas o próprio mergulho nelas, com o indispensável oxigênio da acolhida que Deus sempre oferece.
“Combati o bom combate!”
Uma pessoa que vive radicalmente sua humanidade, sem negá-la nem menosprezá-la, “faz a diferença”. Ser santo/a é, conceitualmente, “fazer a diferença”, apresentar um mais de integridade, de bondade e de gratuidade nas relações e nas atividades. Mais que a superação das leis da natureza, este é o milagre que encanta, maravilha e seduz.
Mas santidade é também ação, luta, combate. E não qualquer luta ou qualquer ação ou combate. Quando Paulo afirma “Combati o bom combate”, está resumindo uma vida inteira e intensamente dedicada à afirmação e ao resgate da dignidade de escravos dentro do império romano, das pessoas que o judaísmo considerava estrangeiras e das mulheres cultura do seu tempo inferiorizava.
O próprio Pedro, tão dependente da cultura religiosa do judaísmo, teve que romper com alguns princípios fundamentais da sua tradição religiosa e acolher pessoas consideradas pagãs, como o fez na casa do romano Cornélio. Mesmo assim Pedro teve recaídas, e o próprio Paulo teve que denunciar publicamente suas contradições. A santidade não é um caminho de ascensão retilínea. É um combate que se renova em cada nova situação e em cada nova fronteira. “Pra construir um mundo novo, o Senhor nos enviou...”
“Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo!”
Iludimo-nos quando imaginamos que os santos e santas atingiram um alto grau de densidade de vida unicamente através da repetição de orações ou da aceitação mais ou menos passiva de doutrinas ortodoxas. E a nossa relação com eles/as é infantilizadora quando permanece restrita à busca de frases ilustres ou a pedidos de intercessão.
Como Jesus não cansa de insistir, a fé se mostra nas ações concretas, assim como a qualidade da árvore é comprovada pelos frutos. A santidade é mais uma questão de praticar a justiça (ortopráxis) que de aceitar a doutrina (ortodoxia). Quando, no caminho aberto por Pedro, os cristãos reconhecem Jesus Cristo como “Filho do Deus Vivo”, entram no movimento daqueles que re-produzem no próprio tempo e lugar as ações libertadoras de Jesus.
A santidade é essencialmente um aperfeiçoamento do amor, e o amor não é simplesmente sentimento ou pensamento, mas atitude, relação, prática. Os discípulos e discípulas de Jesus Cristo não fariam nenhuma diferença e não provocariam tensões se fossem apenas portadores de idéias e sentimentos divorciados de ações e práticas. São estas últimas que fazem a diferença, transformam e inquietam. “Pra construir um mundo novo, o Senhor nos enviou...”
“Para que eu pudesse anunciar toda a mensagem...”
Mas isso não quer dizer que a ação dispensa o anúncio. A práxis do amor e o testemunho de serviço vão à frente, mas não podemos deixar de anunciar o Nome e o Projeto daquele que nos ama, chama, reúne, envia e sustenta. Não se trata de discutir, e menos ainda de impor, mas de compartilhar uma experiência e propor um caminho. Trata-se de “dar as razões da nossa esperança”, mas sempre com humildade, respeito e discrição. “Pra construir um mundo novo, o Senhor nos enviou...”
A condição de quem avança no caminho da santidade e anuncia o Evangelho é diferente daquela de um/a professor/a que ensina uma doutrina, mesmo que seja uma doutrina correta e importante. É mais próxima da situação de quem sabe que recebeu algo que é maior que ele/a, de quem sente-se como um vaso rústico e frágil que guarda um tesouro precioso. Assim, aceita de bom grado quebrar-se e desaparecer, desde que o tesouro resplandeça, encante e anime.
“Herodes decidiu prender também Pedro...”
Uma certa espiritualidade corre o risco de fazer desaparecer dos santos e santas a humanidade e a conflitividade. Como esquecer que um número considerável de santos e santas foram barbaramente martirizados? Como olvidar que muitos personagens que hoje ocupam os altares dos templos foram considerados incômodos e até hereges pelas autoridades religiosas e políticas? Não é verdade que a santidade vem sempre de mãos dadas com o poder e recebe seus aplausos...
Ao lado e complementarmente a uma profunda liberdade e a uma grande bondade relacional, a santidade tem hoje de novo um componente marcadamente político. Homens e mulheres verdadeiramente santos/as – mesmo que não se apresentem como pessoas religiosas – experimentam a execração pública e a frieza das celas, como Pedro, Paulo e tantos outros/as. Novos discípulos e discípulas continuam sendo gerados nas catacumbas e masmorras, nos desertos e periferias, nas ruas e nas praças...
“Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”
Temos o direito e o dever de celebrar nossos santos e santas. Rosa, Antônio, Luís, Madalena, João Batista, Maria, Tomas, Pedro e Paulo são irmãos e irmãs que nos antecederam e dos quais herdamos a coragem de sonhar e de transformar os sonhos em realidade histórica. Com eles e elas formamos uma Igreja santa, uma comunidade eclesial que traz no seu próprio DNA a vocação de ser povo e de ser santa.. Eles/as não deixam que se apague aquilo que todos somos chamados/as a ser. “Pra construir um mundo novo, o Senhor nos enviou...”
Celebrando Pedro e Paulo, aprendamos deles a combater o bom combate e a fazer a fé frutificar. É sobre a fé frutuosa e coerente de cada membro do povo de Deus que Jesus edifica sua Igreja. Perseveremos no caminho que eles fizeram: na partilha do pão, na comunhão orante, na prioridade dos pequenos, na doação sem limites, no testemunho de serviço, na confiança radical naquele que nos fortalece. E peçamos que eles não deixem que a Igreja e seus membros se conformem com os esquemas violentos e cínicos deste mundo.
Pe. Itacir Brassiani msf

sexta-feira, 26 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Santo do Dia

São João Batista

A relevância do papel de São João Batista reside no fato de ter sido o "precursor" de Cristo, a voz que clamava no deserto e anunciava a chegada do Messias, insistindo para que os judeus se preparassem, pela penitência, para essa vinda.

Já no Antigo Testamento encontramos passagens que se referem a João Batista. Ele é anunciado por Malaquias e principalmente por Isaías. Os outros profetas são um prenúncio do Batista e é com ele que a missão profética atingiu sua plenitude. Ele é assim, um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.

Segundo o Evangelho de Lucas, João, mais tarde chamado o Batista, nasceu numa cidade do reino de Judá, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, parenta próxima de Maria, mãe de Jesus. Lucas narra as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento do menino. Isabel, estéril e já idosa, viu sua vontade de ter filhos satisfeita, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que a esposa lhe daria um filho, que devia se chamar João. Depois disso, Maria foi visitar Isabel. "Ora quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre ! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite ?'" (Lc 1:41-43). Todas essas circunstâncias realçam o papel que se atribui a João Batista como precursor de Cristo.

Ao atingir a maturidade, o Batista se encaminhou para o deserto e, nesse ambiente, preparou-se, através da oração e da penitência - que significa mudança de atitude, para cumprir sua missão. Através de uma vida extremamente coerente, não cessava jamais de chamar os homens à conversão, advertindo: " Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo". João Batista passou a ser conhecido como profeta. Alertava o povo para a proximidade da vinda do Messias e praticava um ritual de purificação corporal por meio de imersão dos fiéis na água, para simbolizar uma mudança interior de vida.

A vaidade, o orgulho, ou até mesmo, a soberba, jamais estiveram presentes em São João Batista e podemos comprová-lo pelos relatos evangélicos. Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou o Cristo" (Jo 3, 28) e " não sou digno de desatar a correia de sua sandália". (Jo 1,27). Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". (Jo 1,29).

João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?" (Mt 3:14). Mais tarde, João foi preso e degolado por Herodes Antipas, por denunciar a vida imoral do governante. Marcos relata, em seu evangelho (6:14-29), a execução: Salomé, filha de Herodíades, mulher de Herodes, pediu a este, por ordem da mãe, a cabeça do profeta, que lhe foi servida numa bandeja. O corpo de João foi, segundo Marcos, enterrado por seus discípulos.
Fonte: www.culturabrasileira.org.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Uma Vida Religiosa místico-profética, profético-mística portadora de esperança. (CLAR)
Nossa Vida Religiosa se faz vida a serviço do amor. Uma vida a favor da vida, uma vida que de modo gratuito e agradecido dá vida. Comprometer-nos radicalmente a favor da vida é responder livre e generosamente a partir do amor (cf. 1Jo 4, 16). Tornar possível a vida, favorecê-la, defendê-la, lutar pela vida é passar para este lado, do lado de Jesus Cristo. Dar vida e optar por ela frente a estruturas de morte supõe inevitavelmente entrar em conflito, confrontarmo-nos e enfrentarmo-nos com inteireza e decisão, mesmo que isso signifique arriscar a própria vida.
A oferta da vida vai germinando na proximidade e ternura do acompanhamento do povo frágil e vulnerável, diante do contraste da distância e da submissão arrasadora àqueles que procuram oprimi-lo e explorá-lo. É este o testemunho que aprendemos de nossos mártires latino-americanos, homens e mulheres que deram suas vidas a favor da vida, o amor que dá vida. É aí, no amor ao extremo, que se produz muito fruto: “Se o grão de trigo, caído na terra, não morre, permanece só; ao contrário, se morre, produz muito fruto” (Jo 12, 24).
Descobrir Deus na realidade e cotidianidade da vida exige profundidade espiritual. Precisamos poder contemplar o mundo e a história com os olhos de Deus. Ser místico-profético é ser sensível ao acontecer de Deus na história, poder olhar e escutar aquilo que passa despercebido ao mundo. Saber ver e saber ouvir a realidade a partir de Deus só se consegue com um coração místico-profético. Escuta-se e enxerga-se melhor com o coração, é próprio do místico e do profeta exercitar o coração, pois é no coração que conhecemos a plenitude.
O místico-profeta consegue contemplar o mistério a partir da pequenez, simplicidade e sinceridade do coração. É num coração dócil à vontade de Deus que nosso Deus, o Deus de Jesus Cristo, se manifesta fazendo com que a eternidade irrompa na vida cotidiana, no ordinário de cada jornada, que o que se vive no dia-a-dia transparente ao Espírito atuante na história, que seja o verdadeiramente humano, eloqüência da divindade.
É essa vida em Deus que nos leva a encarnar a profecia. Ler a história a partir de Deus que nos torna incapazes de conveniar com a injustiça e opressão, aceitar a mentira e exploração ou colocar-nos do lado do corrupto e egoísta. A sabedoria própria do profeta desmascara a maldade, torna evidentes as tretas do maligno e descobre toda duplicidade e falsidade. Próprio do atuar do Espírito de Deus no profeta é lutar a favor da justiça, indo atrás da verdade, favorecendo os caminhos da paz. A ação profética a partir de Jesus Cristo é portadora de boa nova, tornando-a bem-aventurança no anúncio da bondade e denunciando toda desgraça ao apontar a maldade que a causa.
Nossa Vida Religiosa se torna místico-profética hoje sendo verdadeiramente crítica diante de um mundo que se tornou insensível, hedonista, individualista e consumista. Somos místicos-profetas ao caminhar e acompanhar pacientemente o nosso povo. Trabalhando a favor de todo e qualquer processo libertador o profeta investe sua vida pelo bem-estar da comunidade, pronta para um amanhã melhor, convencido de que um mundo novo é possível.
Somos chamados/as a dar vida no amor. Isto significa fazer nossa a dor e o sofrimento de tantos irmãos e irmãs nossos, golpeados, despojados, empobrecidos e excluídos por estas inúmeras causas produto da injustiça e da desigualdade. Optar pelos pobres significa fazer nossas as suas carências, suas dores, seus infortúnios, solidarizar-nos, fazendo nossas as suas feridas. Só assim poderemos dar vida no amor. Estamos chamados a dar vida a partir da esperança. A esperança de uma espiritualidade místico-profética que nos faz acreditar na capacidade de transformar o mundo pela ação do Espírito. Espiritualidade da misericórdia ao tornar realidade a prática da justiça. Em trabalhar assiduamente na promessa certa da confiança no cumprimento da vinda de Deus em auxílio de nossa debilidade, seguros que o novo haverá de nascer e outros abrirão novos caminhos.
Uma Vida Religiosa místico-profética na nossa maneira de agir a favor daqueles princípios e valores fundamentais onde a vida é defendida, protegida e promovida. Sinais concretos de acolhida e solidariedade são também os gestos de ruptura e rejeição diante de tudo aquilo que atenta contra a vida. Uma Vida Religiosa místico-profética que de maneira firme e decidida deixa ouvir sua voz para anunciar a vida ou denunciar tudo o que atenta contra ela. Será desmascarado tudo o que se opõe ao plano salvífico de Deus: “Dar vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).
Autor: Ir.Vania Carvalho - Belem do Pará