sábado, 29 de maio de 2010

Que Alegria receber em minha cas a Mãe do meu Senhor

Maria é sempre discípula, aprendiz, servidora, mãe e mestra no caminho do seguimento de Jesus Cristo e na aventura da resposta a Deus. No último dia deste mês dedicado à sua memória temos a oportunidade de contemplar sua visita a Isabel e acolher as lições que nos proporciona. Esta visita de Nossa Senhora sublinha um aspecto frequentemente lembrado pelos evangelhos: através de personagens concretos, Deus visita e liberta seu povo. No cântico que elevou quando, após o nascimento de João Batista, seus lábios se abriram, Zacarias proclama: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu seu povo!” (Lc 1,68). Depois de testemunhar a ação de Jesus em benefício de um filho e uma filha de pagãos, o povo glorificava a Deus dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus veio visitar o seu povo” (Lc 7,16). Como na visita de Maria a Isabel, também hoje é o próprio Deus que nos visita e nos liberta.
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Em Deus Vivemos, nos movemos e existimos

(Pr 8,22-31; Sl 8; Rm 5,1-5; Jo 16,12-15)
A festa da Santíssima Trindade é um convite a mergulhar no mistério de Deus e a deixar que ele nos envolva e nos dinamize. Dialogando com os intelectuais de Atenas, Paulo afirma que em Deus “vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Deus é o fundamnento de todas as formas de vida, o dinamismo de todas as transformações, o horizonte do verdadeiro sentido. Nossa vida se desenrola no Filho, o caminho; sob o Espírito Santo, o guia; em direção ao Pai, a paisagem, a origem e a meta. Celebremos e meditemos sobre o mistério de Deus revelado em Jesus Cristo, conscientes de que falar sobre Deus é falar sobre o mistério mais profundo do ser humano. E esta é uma tarefa tão difícil quanto necessária.
Pe. Itacir Brassiani msf

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Prevenção na 131ª Romaria de Caravaggio

Nos dias 22 a 26 de Maio aconteceu a 131ª Romaria de Nossa Senhora do Caravaggio em Farroupilha com o lema: “Ó Maria, orientai-nos à Solidariedade!”. Passaram pelo santuário mais de 200 mil Romeiro. Houve Celebração eucarística de hora em hora e no com a presença do Bispo Dom Paulo Moretto.

A casa Fonte Colombo e a Pastoral da Aids estiveram presente realizando atividades de prevenção ao HIV e Aids através de materiais informativos e orientações sobre a epidemia. O Material foi bem aceito pelos romeiros que liam e pediam mais para levara a seus familiares e vizinhos.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um Sopro divino que faz novas todas as coisas!

Depois de um percurso que durou sete semanas, marcado por descobertas e encontros com o Senhor ressuscitado, chegamos à celebração de Pentecostes. O recebimento do Espírito Santo é a culminância da experiência pascal. Como a comunidade apostólica reunida em Jerusalém, reunimo-nos e pedimos que o Espírito renove em nós os prodígios que realizou no início do cristianismo, esperando que o Sopro de Deus nos dê respiro e vida, nos ensine a testemunhar e anunciar o Reino de Deus na língua das diversas culturas, derrube os muros que nossos medos e prepotências ergueram, abra as portas das nossas Igrejas sitiadas pelo medo e nos empurre para fora, em ritmo de missão. O Espírito Santo é essencialmente dom, presença e força vital de Deus nas suas criaturas e nos caminhos da história. Ele suscita e sustenta a comunhão entre o Pai e o Filho; possibilita e mantém a comunhão dos cristãos entre si e com Cristo; abre todas as criaturas para a interdependência e a colaboração.


Pe. Itacir Brassiani msf

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domingo, 16 de maio de 2010

Ação Comunitaria Incentivo ao Diagnóstico

Neste sábado 15 de maio freis, voluntários e moradores da comunidade Nossa Senhora do Rosário, do Campo da Tuca, visitaram 384 famílias. Os voluntários além de conversar com os moradores sobre os benefícios obtidos com a realização de exames especifico para HIV, distribuíram folhetos com instruções e endereços onde podem ser realizados os testes, gratuitos e sigilosos.
A atividade tem como objetivo esclarecer e orientar a população a fazer o teste anti-HIV e está ligada ao programa de incentivo ao diagnóstico precoce. Hoje a Aids é uma doença controlável. Quanto antes a pessoa conhecer sua sorologia, melhores serão as condições de tratamento e de evitar doenças oportunistas.

Esta ação comunitária será realizada uma vez por mês em diferentes Bairros de Porto Alegre.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Capacitação para novos agente da Pastoral da Aids

Nos dias 30 de abril a 2 de maio na Casa de Encontros São Lourenço de Brindisi, em Porto Alegre, aconteceu a capacitação de novos agentes da Pastoral da Aids do Regional Sul 3.
Estiveram presentes 52 agentes, representantes de 5 dioceses do Rio Grade do Sul. Nesta capacitação foram abordadas temáticas que auxiliam os agentes a serem multiplicadores, capacitando-os a levar informação segura para todos os grupos, pastorais e segmentos sociais em sua diocese. Dra. Ângela Hexel trabalhou a dimensão técnica da doença, Ir. Nadalina Perondi aprofundou a Mística e Espiritualidade do Agente da Pastoral da Aids, Mariela Calcagno mostrou o trabalho da Rede Católica de Aids América Latina e Caribe, Cristiane Marins ajudou com os dados epidemiológicos da Aids, Frei José Bernardi aprofundou aspectos da história e caminhada da Pastoral da Aids e Frei Lunardi a prática dos agentes em suas dioceses, o que fazer, como fazer. A estratégia de formação de multiplicadores é a principal ação da Pastoral da Aids em todo Brasil, este ano haverá capacitação nos 17 regionais da CNBB. Ter agentes esclarecidos e capazes de assumir o compromisso de informar, formar e criar relações de parcerias com outras pastorais e programas governamentais em vista da prevenção e do acompanhamento é fundamental para diminuir as infecções e garantir qualidade de vida aos que já estão infectados. Frei Lunardi

sexta-feira, 30 de abril de 2010

José, um Operário

A festa de são José Operário fui instituída pelo Papa Pio XII, em 1955, com a intenção de reafirmar a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras e, ao mesmo tempo, dar uma marca católica à celebração civil e classista do dia 1° de maio. O próprio Pio XII havia dito, por ocasião do Natal de 1942: “Todo trabalho possui uma dignidade inalienável e, ao mesmo tempo, uma íntima ligação com a pessoa em seu aperfeiçoamento: nobre dignidade e prerrogativa que não são de modo algum aviltadas pela fadiga e pelo peso que devem ser suportados como efeito do pecado original em obediência e submissão à vontade de Deus.”
Antes dele, Leão XIII havia escrito “Os porletários e operários têm como direito especial o de recorrer a são José e de procurar imitá-lo. José, de fato de família real, unido em matrimônio com a mais santa e a maior entre todos as mulheres, considerado como o pai do Filho de Deus, não obstante tudo passou a vida toda a trabalhar e tirar do seu trabalho de artesão tudo o que era necessário ao sustento da família.” E introduzindo o nome de São José no cânon da missa, o Papa João XXIII quis homenageá-lo como exemplo de vida cristã, homem trabalhador e honesto, fiel e obediente à palavra de Deus.
O pai de Jesus era um carpinteiro
Em geral essa afirmação não causa hoje nenhum problema para os cristãos, se bem que muitos parecem lamentar secretamente que Jesus não tenha sido descendente da família nobre ou da dinastia sacerdotal... Mas no contexto das primeiras comunidades cristãs, especialmente no ambiente do judaísmo e do império romano, a origem social de Jesus atraía suspeita e desprezo sobre seu ensino e suas ações.
Ouvindo o ensino de Jesus na sinagoga, seus conterrâneos se perguntavam perplexos: “De onde vem essa sabedoria e esses milagres? Esse homem não é o filho do carpinteiro?” Nomeando de cor os membros de sua humilde família, não conseguiam entender e ficaram escandalizados (cf. Mt 13,53-58). A condição de vida de José e a profissão que exercia eram causa de menosprezo e dificultavam a aceitação da mensagem de Jesus por parte do seu próprio povo.
Mas este é um dado que não podemos esquecer ou diminuir: José é um homem que viveu do próprio trabalho. No século XIX, o Pe. Berthier, fundador dos Missionários da Sagrada Família, escrevia: “José era um pobre artesão: ele não recebeu outra herança senão as mãos, outro capital senão a carpintaria, outros recursos senão o próprio trabalho” (Le prêtre II, p. 802). E esse trabalho foi o caminho que o levou à integridade nas suas relações com Maria, com Jesus, com seu povo e com Deus.
Um trabalhador pode alcançar a sabedoria?
A expressão grega tektôn, que normalmente é traduzida por carpinteiro, expressa também o ofício do pedreiro e do ferreiro. De qualquer maneira, sempre trabalhos artesanais. Assim, podemos supor com bastante fundamento histórico e literário que José e Jesus foram artesãos experimentados no ofício da carpintaria e muito conhecidos nas vilas da região.
Podemos presumir também que, seguindo o costume segundo o qual o pai devia ensinar sua profissão aos filhos, José ensinou Jesus a distinguir os diversos tipos de madeira e suas qualidades específicas: plátano, terebinto, cipreste, sicômoro, acácia, oliveira, zimbro, pinheiro, etc. Ensinou-o também a usar adequadamente as ferramentas de trabalho: machado, martelo, serra, plaina, cinzel, etc. E observando o jeito de José trabalhar, Jesus aprendeu o valor de um trabalho bem feito.
O livro do Eclesiástico registra uma certa reserva e até menosprezo frente aos trabalhadores manuais. “Aquele que está livre de atividades torna-se sábio. Como poderá tornar-se sábio aquele que maneja o arado e cuja glória consiste em manejar o ferrão? Como pode tornar-se sábio aquele que guia bois, não abandona o trabalho e só sabe falar de crias de vacas?... O mesmo acontece com todo carpinteiro e construtor, e com qualquer pessoa que trabalha dia e noite...” (Eclo 38,24-27).
Com base nisso, podemos concluir que, como os demais trabalhadores manuais, José e Jesus “não são requisitados no conselho do povo, não têm lugar especial na assembléia, não se assentam na cadeira do juiz, nem conhecem as disposições legais. Eles não brilham pela cultura nem pelo julgamento, e não entendem de provérbios. Entretanto, são eles que sustentam as necessidades básicas, e a oração deles consiste em realizar o próprio trabalho” (Eclo 38,34).
A dignidade dos trabalhadores
A festa de São José Operário tem como objetivo celebrar o valor do trabalho humano e proclamar a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras. São José nos ajuda a voltar nosso olhar àqueles e aquelas que hoje necessitam do próprio trabalho para sobreviver e, ao mesmo tempo, realizam através dele sua vocação de construir o bem comum.
Nossa fé sublinha que Deus assumiu a condição humana, inclusive a de trabalhador. “Pela sua encarnação, o Filho de Deus, de certo modo, uniu-se a todos os seres humanos. Trabalhou com mãos humanas, pensou e agiu como qualquer ser humano, amando com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, foi realmente um dos nossos em tudo, exceto no pecado” (Gaudium et Spes 22).
O mesmo documento conciliar recomenda engajamento e alegria aos cristãos que “seguindo o exemplo de Cristo, que trabalhou como operário, exercem todas as suas atividades unificando os esforços humanos, domésticos, profissionais, científicos e técnicos numa síntese vital com os bens religiosos, sob cuja direção tudo se orienta para a glória de Deus” (Gaudium et Spes 43). Assumindo trabalhos manuais humildes em Nazaré, Jesus conferiu uma dignidade especial ao trabalho e aos trabalhadores/as (cf. Gaudium et Spes 67).
Mudar os sistemas iníquos
Em tempos de crise estrutural como esta que estamos atravessando, as saídas apresentadas como mais razoáveis e urgentes normalmente trazem prejuízos aos trabalhadores. Fala-se sempre em flexibilizar os direitos trabalhistas, mas pouco se fala em flexibilizar os índices de lucro dos empresários e banqueiros. A Igreja afirma sem rodeios que “é iníquo e desumano” organizar a produção “em detrimento dos trabalhadores”. “Nenhuma lei econômica o justifica” e, nesses casos, “a greve deve ser reconhecida como um direito de defesa dos trabalhadores” (Gaudium et Spes 68).
Muitos ainda preferem imaginar José trazendo nas mãos lírio da pureza e não as ferramentas de trabalho. E gostam de contemplar Jesus trazendo trazendo na cabeça uma coroa real e nas mãos o pergaminho ou o cajado, a patena e o cálice, mas jamais uma foice ou uma enxada! E o mundo viria abaixo se alguém ousasse representar José e Jesus numa manifestação pela redução da jornada de trabalho, contra a flexibilização das leis trabalhistas ou por uma nova ordem internacional...
Que o trabalho não seja em vão
Paulo Coelho confessou que gosta de imaginar Jesus celebrando sua última ceia numa mesa fabricada na marcenaria de José. Mesmo que isso não seja historicamente provável, é importante sublinhar os laços que unem José e Jesus, sejam eles de trabalho ou de missão. Jesus será sempre o filho e o herdeiro do carpinteiro de Nazaré, e dele aprendeu a relevância da utopia religiosa, o valor do trabalho e a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras.
De minha parte, concedo-me o direito de imaginar José e Jesus envolvidos no trabalho em mutirão para construção de casas no povoado de Nazaré. À noite, em casa, depois da modesta janta, vejo José puxa de memória o Salmo 127: “Se Javé não constrói a casa, em vão labutam os construtores. Se Javé não guarda a cidade, em vão vigiam os guardas. É inútil que vocês madruguem e se atrasem para deitar, para comer o pão com duros trabalhos: aos seus amigos ele o dá enquanto dormem.”
Interrompendo a prece, fixa demoradamente seu olhar terno no rosto de Jesus, e depois continua: “A herança que Javé concede são os filhos, seu salário é o fruto do ventre: os filhos da juventude são flechas na mão do guerreiro.” E Maria, envolvendo José com um abraço carinhoso, completa: “Feliz o homem que enche sua aljava com elas; não será derrotado na porta da cidade quando litigar com seus inimigos.” Ela sabia que seu marido não brilhava pela cultura e não entendia de provérbios, mas das suas mãos vinha boa parte do sustento da família, e seu trabalho subia ao céu como oração.
Pe. Itacir Brassiani msf