sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"O Rei do Universo é o Também o Irmão dos necessitados."

FESTA DE CRISTO REI


O ano litúrgico católico termina com a festa de Cristo, Rei do Universo. Desde o final do século XIX algumas comunidades católicas vinham propondo a celebração de Cristo Rei para propagar a dignidade de Jesus Cristo, afirmar os direitos da Igreja frente à sociedade liberal e destacar a importância da doutrina cristã na formulação das leis civis. Essa festa acabou sendo instituída oficialmente em 1955, pelo Papa Pio XII. Hoje temos consciência de que é preciso evitar toda forma de triunfalismo e, ao mesmo tempo, destacar o mistério de Jesus Cristo que, com sua paixão pelo povo e sua vida doada aos marginalizados, venceu a opressão e a morte e inaugurou um Novo Tempo, regido pela paz, pela solidariedade e pela partilha. O que predomina é a utopia do bom rei que, como o bom pastor, vela sobre seu povo e o governa na justiça e na paz.


“Quando o filho do homem vier na sua glória...”
Para falar de Jesus e expressar o que ele significa sempre recorremos a imagens e comparações vindas da nossa experiência e da nossa cultura. Desde o tempo dos primeiros discípulos a comunidade cristã usou títulos e nomes correntes para expressar o mistério inesgotável da pessoa e do evento Jesus Cristo, consciente de que nenhum deles conseguia expressar com exatidão seu significado e sua relevância. Estes títulos e nomes às vezes mais escondem do que revelam a novidade de Jesus Cristo.
O título de Messias ajudava a sublinhar seu caráter de líder ungido e enviado por Deus para realizar sua obra libertadora. Chamando-o Mestre as comunidades destacavam sua a relação pedagógica com os/as seguidores/as. A imagem de Pastor serviu para ressaltar a proximidade, o conhecimento, o cuidado e a postura frente ao povo. Ao atribuir-lhe o título de Filho de Deus os cristãos afirmavam a convergência de sua ação com a ação de Deus e contestavam essse mesmo reconhecimento aos reis e imperadores.
Mas podemos afirmar com relativa segurança que Jesus evitou a maioria dos títulos que lhe davam, e preferiu autoapresentar-se como Filho do Homem, ou seja, como fundamentalmente humano e portador de humanidade. Parece que ele queria evitar o risco de entenderem-no de modo muito espiritualizado ou politizado. E preferiu falar de si mesmo em termos mais neutros, mostrando o que era e o que queria mais através da prática que de discursos, títulos e nomes.

“Julgarei entre ovelha e outra, entre carneiros e bodes...”
O trecho do Evangelho proclamado na festa de Cristo Rei é um dos ‘discursos escatológicos’ de Jesus. Esse gênero de anúncio se presta para falar não propriamente daquilo que deve acontecer no fim do mundo, mas para apresentar aquilo que realmente vale enquanto dura nossa vida no mundo. Esse discurso de Jesus nos leva imaginariamente ao fim dos tempos para destacar o que realmente tem valor no percurso da história.
Neste final imaginário da história, Mateus nos apresenta Jesus através das metáforas do rei e do juiz. Quando o evangelista fala que o Filho do Homem virá ‘na sua glória’ e se sentará em se ‘trono glorioso’ está comparando Jesus com um rei. “Então o rei dirá aos que estão à sua direita...” E a expressão ‘Senhor’ tem essencialmente o mesmo sentido, pois esse era o apelativo com que o povo se dirigia aos reis, imperadores e chefes locais.
Esta parábola também aproxima Jesus da imagem do juiz, e isso é compreensível numa cultura que atribuía ao rei as funções legislativas, executivas e judiciárias. “Todos os povos serão reunidos diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.” A ação de julgar consiste em discernir o verdadeiro valor das ações concretas das pessoas, as quais são separadas em dois grupos, a partir daquilo que fizem e não dos títulos honoríficos ou das meras intenções.

“Eis que eu mesmo buscarei minhas ovelhas e tomarei conta delas...”
Na análise da parábola em questão não podemos esquecer de algo que é mais que um detalhe: mesmo no papel de juiz, Jesus age como pastor. Os evangelhos nos mostram que Jesus decidiu sentar-se definitivamente à mesa como conviva dos pecadores, e não como juiz na mesa do tribunal. Sua vida inteira comprova que ele foi ao encontro e assumiu a causa dos marginalizados. Ele não os esperou sentado na cadeira pretensamente neutra dos juízes.
A bela imagem usada pelo profeta Ezequiel nos ajuda nessa perspectiva. Ele nos diz que Deus promete agir em primeira pessoa para conduzir seu rebanho às pastagens e ao repouso, cuidando da ovelha machucada e fortalecendo a ovelha enfraquecida. Deus cuida do seu povo e garante-lhe vida e segurança. Mas, fazendo isso, não deixa de agir lucidamente como juiz: “Vou julgar entre ovelha e ovelha, entre carneiros e bodes...” Sempre há lobos que se fazem passar por ovelhas...
Ampliando o nosso olhar para além dos textos de hoje, é importante lembrar que, além de se apresentar como pastor, juiz e filho do homem, Jesus se identifica com o servo. João Batista o anuncia como ‘cordeiro de Deus’, como aquele que dá a vida em resgate por muitos. E no confronto com as autoridades do seu tempo e com as ambições de poder dos próprios discípulos, o próprio Jesus declara: “Eu estou no meio de vocês como quem está servindo” (Lc 22,27).

“Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos....”
O mais importante, porém, está um pouco escondido na instigante parábola que ouvimos. Diante da pergunta sobre o momento e a forma concreta de servir a Jesus, ele responde: “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram...” Jesus é filho da humanidade, irmão dos homens e mulheres, mais concretamente: irmão daqueles que passam fome e sede, dos migrantes e doentes, dos pobres e presidiários.
Mais que como pastor ou juiz, Jesus se revela como irmão. Ele não se envergonha de ser nosso irmão e nos tratar como tal (cf. Hb 2,11). É desse modo – fazendo-se próximo o identificando-se solidariamente com os últimos – que Jesus nos revela o que realmente tem valor e pode nos salvar. Interrogando-nos sobre nossa atitude diante dos sofredores e marginalizados, ele nos ajuda discernir se estamos entre os ‘benditos do Pai’ ou com os malfeitores, com ele ou contra ele.


“Senhor, quando foi que não te servimos?...”
Aprecio muito uma proposta que Dom Hélder Câmara apresentou durante o Concílio Vaticano II, sugerindo que se criasse a festa litúrgica de Cristo Servo, para corrigir os excessos da festa de Cristo Rei e recordar esse aspecto essencial da vida de Jesus de Nazaré. São Paulo lembra que Jesus reina destruindo os poderes, rebaixando os poderosos e destruindo os mecanismos de morte. Ele reina fazendo-se servo de todos e doando sua vida para que o mundo viva.
E ele reina servindo através santos como os mártires das Missões (+19.11.1628), de lutadores como Zumbi (+20.11.1695), Marçal de Souza (+25.11.1983), e de milhões de leigos e leigas, cujo dia hoje celebramos. Como cristãos, nosso desejo é amar e servir Nosso Senhor Jesus Cristo, e o fazemos amando e servindo as pessoas necessitadas que nos redeiam. É desde a necessidade dessas pessoas concretas que ele reina e exerce seu senhorio sobre nossos interesses, ambições, medos e egoísmos.
Nem a beleza lírica do Salmo 22/23 destoa deste horizonte hermenêutico. São os pobres, aos quais falta tudo, que cantam com ousadia: “O Senhor é o meu pastor, nada me falta.” São os cansados que recobram forças diante da sua presença. São as pessoas socialmente desprotegidas que se sentem seguras à simples visão do seu cajado. São os grupos sociais excluídos e perseguidos que se descobrem convidados a uma mesa farta e acompanhados diariamente pela graça e pela felicidade.


“Vinde, benditos de meu Pai!...”
Deus pai e mãe, pastor do rebanho e protetor dos pequenos, neste dia em que celebramos meio sem jeito teu Filho como Rei do Universo, te pedimos: purifica nossa liturgia e nossa mente e a das autoridades da Igreja de todo desejo de honra e de poder; confirma-nos no lugar do servo, o lugar que teu Filho ocupou e que não lhe será tirado; fortalece os leigos e leigas que, de mil e uma maneiras, tornam efetivo o reinado de Jesus Cristo e transformam o mundo; e concede a todos/as nós a graça de te reconhecer, amar e servir atenta e delicadamente nos nossos irmãos e irmãs. Amém! Assim seja!
Pe. Itacir Brassiani msf

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jovens colaboram na prevenção a Aids

Aconteceu neste último final de semana, 9 de outubro, a Romaria Diocesana: Maria, Mãe do Redentor, em Cachoeira do Sul, que neste ano teve o tema: “Com Maria há 20 anos mostrando o Rosto de Cristo”.
Mais de 60 mil romeiros fizeram uma caminhada de 4,3km saindo da Catedral Nossa Senhora da Conceição até o parque da romaria, na volta da Charqueada. Dois momentos fortes marcaram a romaria: a presença do núncio apostólico Dom Lourenzo Baldisseri e os 20 anos da Diocese de Cachoeira do Sul.
Neste dia, jovens do Grupo Pequena Experiência de Jesus Cristo (PEJC), da Paróquia Nossa Senhora da Penha, preocupados com o aumento da Aids no Rio Grande do Sul, organizaram, juntamente com representante da Casa Fonte Colombo, Frei Eduardo e da Pastoral da Aids, Daniel , Rose e o pequeno Henrique, a distribuição de material informativo de prevenção a Aids, além de conversar sobre a epidemia.
Romeiros vindos de Candelária, Porto Alegre, Santa Maria, Paraíso do Sul, Rosário do Sul e Cruz Alta tiveram à disposição panfletos informativos no Stand da Casa Fonte Colombo e da Pastoral da Aids para levar às suas comunidades, escolas e grupos de jovens.

Jovens colaboram na Prevenção a Aids

Aconteceu neste último final de semana, 9 de outubro, a Romaria Diocesana: Maria, Mãe do Redentor, em Cachoeira do Sul, que neste ano teve o tema: “Com Maria há 20 anos mostrando o Rosto de Cristo”.
Mais de 60 mil romeiros fizeram uma caminhada de 4,3km saindo da Catedral Nossa Senhora da Conceição até o parque da romaria, na volta da Charqueada. Dois momentos fortes marcaram a romaria: a presença do núncio apostólico Dom Lourenzo Baldisseri e os 20 anos da Diocese de Cachoeira do Sul.
Neste dia, jovens do Grupo Pequena Experiência de Jesus Cristo (PEJC), da Paróquia Nossa Senhora da Penha, preocupados com o aumento da Aids no Rio Grande do Sul, organizaram, juntamente com representante da Casa Fonte Colombo, Frei Eduardo e da Pastoral da Aids, Daniel , Rose e o pequeno Henrique, a distribuição de material informativo de prevenção a Aids, além de conversar sobre a epidemia.
Romeiros vindos de Candelária, Porto Alegre, Santa Maria, Paraíso do Sul, Rosário do Sul e Cruz Alta tiveram à disposição panfletos informativos no Stand da Casa Fonte Colombo e da Pastoral da Aids para levar às suas comunidades, escolas e grupos de jovens.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

TODOS OS POVOS TÊM DIREITO DE RECEBER O EVANGELHO

(Is 25,6-10; Sl 22/23; Fil 4,12-14.19-20; Mt 22,1-14)
Neste segundo domingo do mês dedicado às missões queremos sublinhar o que o Papa Bento XVI diz na mensagem para o Dia Mundial das Missões: todos os povos têm direito a receber o anúncio do Evangelho. Se ouvir o Evangelho é um direito dos povos, anunciá-lo é um dever dos cristãos. E os povos têm direito a um Evangelho testemunhado integralmente e anunciado ecumenicamente, liberto das divisões e deformações provocadas pela história européia. As festas de Nossa Senhora do Rosário (dia 7) e Nossa Senhora Aparecida (dia 12) nos lembram o que significa encarnar a Boa Notícia na própria vida antes de anunciá-lo. E a memória do mártir jesuíta João Bosco Burnier (+12.12.1978) e de todos os/as mártires desta Pátria Grande (dia 11) sublinham que a luta para que todos possam viver bem pode nos levar a perder a própria vida. E não esqueçamos o que nos ensina o poeta, sonhador e humanista Che Guevara (+08.08.1968): a luta pela libertação não tem fronteiras e deve unir firmeza e ternura.
“O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces...”
Qual é a mensagem confiada aos cristãos para que seja anunciada a todos os povos? Não é, em primeiro lugar, uma doutrina bela e pesada, nem uma moral detalhada, mas uma boa notícia radicalmente libertadora: Deus é bom e, como atesta Isaías, promete levantar o véu de luto que cobre a cabeça dos povos e a mortalha que envolve o corpo das nações; sua presença enxuga as lágrimas de todas as faces e convoca e acolhe todos numa festa na qual os alimentos e bebidas são abundantes.
Mediante estas belas metáforas (levantar o véu ou a mortalha, enxugar as lágrimas e preparar uma festa alegre e fraterna), o profeta apresenta o rosto de um Deus que ama apaixonadamente seu povo e cada pessoa, faz aliança com ele e se mantém fiel, intervém ativamente para transformar as situações degradantes e opressivas. Em outras palavras, a mensagem é essencialmente o anúncio de que Deus não se compraz no sofrimento e na punição, nem assiste a história sentado passivamente num trono.
“Mandou seus servos chamar os convidados para a festa.”
O sonho de Deus é que a vida seja uma festa. Mas será que esta festa tem convidados prioritários? Uma leitura desatenta da parábola do evangelho de hoje poderia nos levar a concluir que sim. Para começar, é bom lembrar que esta parábola faz parte do mesmo conjunto literário das duas anteriores (Mt 21,18-32; 21,33-46). O foco temático deste conjunto literário é a rejeição da proposta de Jesus por parte da elite religiosa do judaísmo. As parábolas em questão têm esta elite como destinatário.
Jesus gosta de comparar o Reino de Deus com uma festa. Mas ele constata que nem todas as pessoas aceitam este convite, ou, quando aceitam, o fazem da boca para fora, por pura formalidade. Assim acontece com a liderança religiosa daquele tempo: não lhes agrada a aliança de Deus com a humanidade e, por isso, não dá a menor atenção ao convite que lhes é dirigido. Prefere ficar com leis e ritos que dividem e classificam as pessoas em boas ou más, judias e pagãs, filhos e cães...
Comer e beber juntos significa comungar os propósitos de Deus, e é isso que a elite não aceita. E de nada serve um segundo convite, pois o que pensam ser aqueles servos para interpelar um grupo que se sente superior aos comuns mortais? Ademais, os líderes religiosos não conseguem ver sentido nestas festas que não impõem barreiras, abertas a todas as pessoas. Até que participariam de uma festa, desde que fossem convidados de honra e com o objetivo de celebrar o poder e o privilégio de alguns.
“Ide para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes...”
O convite à festa do Reino é universal: todos os povos, todas as classes sociais, todas as pessoas. Há um grupo que não quer participar, não se importa com o convite e não vai, mas, ao menos da parte de Deus, a festa da Aliança não exclui ninguém. O que Jesus quer sublinhar com esta parábola é que, no pensamento de Deus, o mundo é inclusivo, que há lugar para todos na festa da vida. E ele nos escolhe e envia para fazer seu convite chegar a todos os destinatários.
Eis o dinamismo da missão que compromete a Igreja: anunciar que a festa está preparada e fazer o convite chegar a todas as pessoas, povos e classes. Por isso faz sentido o mandato de ir “para as encruzilhadas dos caminhos”. No mundo judaico, as encruzilhadas são os lugares onde os pobres se reúnem para mendigar, pois a vergonha e a pressão social os empuravam para esta margem. É prosseguindo nesta direção que a missão da Igreja encontra sua originalidade e sua autenticidade.
É bom recordar isso no momento em que a Igreja católica está propondo uma nova evangelização. Além de ser nova no seu método, esta evangelização não pode ser refém de uma visão eurocêntrica, tanto no conteúdo como nos destinatários. Infelizmente a tendência é esta. A ânsia de recuperar o campo perdido pode levar a Igreja a esquecer ou menosprezar as encruzilhadas, onde se encontram os marginalizados do primeiro mundo, e os porões ,e onde são jogados as pessoas do terceiro mundo.
“Como entrates aqui sem o traje da festa?”
Mesmo que o convite não comporte nenhuma forma de exclusão, na festa da vida não se pode entrar de qualquer jeito. Aqueles/as que fazem o convite – os missionários/as e evangelizadores/as de todos os tempos e quadrantes – não discriminam ninguém: convidam bons e maus, judeus e pagãos, homens e mulheres, escravos ou senhores, povo ou elite, negros ou brancos, europeus ou africanos, hétero ou homossexuais... Esta é a tarefa confiada aos mensageiros.
Quanto às pessoas que aceitam o convite e comparecem à festa, estas precisam se perguntar se, por suas atitudes, opções e práticas honram o anfitrião. Aqueles/as que aceitam ser discípulos/as e missionários/as de Jesus Cristo precisam demonstrar com a vida que o são. Não podem tomar a estrada larga e fácil da indiferença e do individualismo. E a Igreja não pode se alegrar ingenuamente com as multidões que lotam seus templos, sem se perguntar pela qualidade do discipulado destes fiéis.
A pergunta “amigo, como entraste aqui sem o traje da festa?” é dirigida a nós, e é séria. Aqui quem está em questão não é mais a elite do judaísmo, mas os ministros e agentes e líderes da Igreja. O sujeito surpreendido com traje inadequado ficou sem palavras, como acontecera com os saduceus questionados por Jesus (cf. Mt 22,34). Infelizmente encontramos gente (padres e leigos) nestas condições em nossas celebrações e demais atividades pastorais ou administrativas...
“Tudo posso naquele que me dá força.”
Os/as missionários/as e evangelizadores/as podem contar com algo mais potente que suas próprias forças e estratégias. Sabemos que somos pessoas como todas as outras, com as mesmas fragilidades e pecados. Apenas não nos conformam com a passividade e a indiferença, e achamos que vale a pena fazer o convite de Deus chegar a todos os destinatários. E isso mesmo que, às vezes, aqueles que aceitam o convite e comparecem à festa (litúrgica) encontrem leis, barreiras e arbitrariedades.
Como experimentou Paulo, o apóstolo das nações, é preciso aprender viver na penúria e na abundância, confiando que Deus, segundo sua generosidade, em Cristo Jesus, proverá magnificamente a todas as nossas necessidades. “Tudo posso naquele que me dá força”, diz o apóstolo. E isso significa que o/a missionário/a é alguém que não pode contar apenas com os recursos pessoais e das estruturas eclesiais. A força e a lucidez indispensáveis vêm de Deus, da Palavra, dos sacramentos.
Mais ainda que os/as missionários/as, quem experimenta a força criativa e inaudita que vem de Deus são os/as mártires. É uma força que os leva a lugares que não pensavam ir, que lhes dá uma coragem que não conheciam, que lhes concede uma sabedoria que nenhum livro é capaz de dar, que suscita neles um amor quase inacreditável e uma sede de justiça que tudo consome.
“Unges com óleo minha cabeça, meu cálice transborda.”
Deus, pai e mãe, que desde sempre preparas a festa da vida e desejas que todos os povos convidados tomem um lugar à tua mesa. Continua e enviar mensageiros/as, a fim de que este convite chegue aos destinatários, especialmente aos porões e quintais do mundo, onde aqueles/as que são tratados/as como últimos estão à espera. Guia os teus enviados/as e restaura as forças deles. Abre a mente e o coração das pessoas convidadas e faz com que tua Igreja mantenha abertas suas portas e janelas a todos os povos, culturas e classes sociais, sem impor condições. Assim seja!
Pe. Itacir Brassiani msf

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Prevenção na 37ª Romaria de Nossa Senhora Conquistadora














“Com Maria Aprender a rezar a Palavra de Vida”, tema que levou fiéis às ruas da cidade de Bagé para a 37ª Romaria de Nossa Senhora Conquistadora.

A ensolarada manhã de Domingo, 25 de setembro, reuniu aproximadamente 10 mil fiéis na cidade de Bagé, fronteira com Rio Grande do Sul. Os fiéis saíram da Catedral São Sebastião, acompanhados da imagem de Nossa Senhora Conquistadora, até o Santuário onde foram recebidos pelos bispos Dom Gílio Felício e Dom José Mario, juntamente com diversos sacerdotes da região.

O evento contou com a participação de diversas dioceses do Estado, como: Pelotas, Rio Grande, Guaíba, Representantes das cidades Uruguaias - Melo e Taquarembó, além da presença da Pastoral da Aids e Casa Fonte Colombo lembrados na Missa da Benção da Saúde pelo Padre Elautério Júnior, reitor do Santuário.

Na oportunidade foi colocado um Stand com materiais informativos da Casa Fonte Colombo e a Pastoral da Aids. Frei Eduardo pode conversar com os Romeiros sobre HIV, Aids e DST, além de divulgar a Campanha de incentivo ao diagnóstico precoce.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"TUA PALAVRA DÁ SABEDORIA AOS SIMPES."


“É como a chuva que lava e como o fogo que abrasa... Tua Palavra é assim: não passa por mim sem deixar um sinal.” Este refrão que cantamos frenquentamente expressa uma experiência, um desejo e uma promessa. Para que seja assim é necessário um exercício prolongado, uma atenção concentrada, uma sensibilidade afinada e uma permanente revisão de vida. A Igreja do Brasil nos ajuda neste propósito oferecendo um mês inteiro de para despertar nosso gosto pela Palavra de Deus e nossa atenção a um Deus que dialoga conosco. Sem os exageros patrióticos da Semana da Pátria e o romantismo às vezes ingênuo da Semana Farroupilha, entramos primavera adentro atentos à Palavra viva de Deus. Todos os domingos Deus tem um encontro marcado conosco. E, como nos recorda o salmista, sua Palavra torna sábias as pessoas simples (cf. Sl 119/118,130).
“Mostra-me, Senhor, os teus caminhos...”
No horizonte das relações humanas, dar atenção à palavra significa valorizar a pessoa que fala. Mais importante que a palavra e o conteúdo, é sempre a pessoa que fala. Assim também em relação à Palavra de Deus! A atenção à Palavra de Deus está a serviço da nossa relação com Deus. Quando separamos a Palavra e Deus corremos o risco de reduzi-la a um discurso vazio, frio e estéril. E então a Palavra que era viva pode se tornar doutrina pesada e letra que mata.
O Concílio Vaticano II nos ensina que Deus sempre fala depois de ouvir, e o faz dialogando, como amigo que se entretém conosco e nos convida a participar da sua intimidade. Como nos encontros entre amigos/as, sua Palavra não é prioritariamente discurso, doutrina ou ordem, mas diálogo interpessoal sobre coisas importantes e decisivas que interessam e mexem com a vida de ambos. Com frequência, o próprio encontro é mais importante que a palavra.
A Palavra de Deus não é uma palavra a mais no meio ou acima das palavras humanas: é a percepção do sentido absoluto e transcendente das palavras e acontecimentos humanos. Deus diz sua palavra mediante as palavras e ações dos homens e mulheres na história. A Palavra consignada no texto bíblico atua como despertador que nos acorda para escutar a Palavra de Deus escrita na vida e para seguir sua orientação. Bíblia e vida estão unidas de forma indissociável.
“Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha!”
A palavra dialogal é sempre uma proposta que espera resposta. É um convite que espera ressonância. Mesmo quando se apresenta como uma ordem, a palavra conta com a livre decisão do interlocutor. Uma palavra imperativa, que vem de cima e sabe somente dar ordens, que não se interessa com a resposta, que desconhece os tempos indicativo e subjuntivo, tem jeito de imposição, infantiliza e não constrói pessoas livres.
Jesus Cristo, a Palavra de Deus feita carne e história, é em si mesmo e em tudo o que diz e faz, convite e apelo que traz a força daquele que a pronuncia. Este convite tem autoridade e mobiliza porque vem de Alguém que se faz um de nós, se torna igual a nós em tudo, assume e pronuncia a palavra do simples ser humano, com seus sonhos e necessidades. “Vai trabalhar hoje na minha vinha...” Jesus é palavra que convoca à ação, a assumir nossa responsabilidade no mundo e na história.
“Sim, Senhor, eu vou!”
Às vezes pressupomos muito rapidamente que nossa resposta à Palavra de Deus é positivamente inequívoca. Quem poderia duvidar disso se ainda no colo da mãe fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Afinal, frequentamos a catequese, fizemos a primeira comunhão solene e recebemos a unção crismal... E iniciamos sempre cada dia pedindo que o Senhor abra nossos lábios para que nossa boca proclame seu louvor...
Mas isso pode ser apenas aparência e formalidade. A crítica de Jesus aos fariseus, sacerdotes e doutores da lei é paradigmática e nos coloca de sobreaviso. Aqueles que se sentem orgulhosamente os primeiros ouvintes e praticantes exemplares da Palavra de Deus na verdade são como filhos que dizem sim à ordem do pai, mas se recusam a fazer o que ele pede. É uma séria advertência dirigida a nós. Em que medida também nós aderimos a Deus apenas da boca para fora?
Creio que nós não estamos livres dessa tentação. Corremos o risco de ficar na superfície, na aparência. Não faltam homens e mulheres de Igreja, leigos/as e consagrados/as que estudam cientificamente a Palavra de Deus, conhecem o contexto e o texto, o gênero literário e as teorias literárias, mas não conseguem passar do cérebro ao coração e às mãos. Lavam as mãos e se desculpam diante da urgência de cuidar da vida dos irmãos e irmãs. Dizemos sim com a boca e não com a vida.
“Mas depois arrependeu-se, e foi...”
E há pessoas que dizem não à Palavra de Deus, mas só aparentemente. Alguns não frequentam muito assiduamente as celebrações nem consideram relevantes as muitas palavras do ensino da Igreja. Outros se opõem abertamente à Igreja e às religiões. Muitos amargam experiências de pobreza, marginalização e exclusão. Alguns até tiveram um percurso existencial tumultuado, com matrimônios desfeitos, vida familiar arruinada e várias tentativas de recomeço.
Uma parte consideravel dessa gente que diz a Deus um não aparente, pois se empenha de corpo e alma na tarefa de humanizar o que lhes sobra de vida e de evitar que o mundo se corrompa ainda mais. Começam pelo terreno da própria vida e do círculo de pessoas que se congregam na família. Militam em associações, movimentos, sindicatos e partidos não isentos de contradições, mas orientados ao bem comum. O não inicial e público deles se revela um sim prático e anônimo.
Mas outras tantas pessoas sequer conseguem crer em si mesmas e nas possibilidades de mudança. Não se consideram merecedoras de absolutamente nada e parecem ser uma negação absoluta de tudo o que possa ser bom e desejável. São como as prostitutas e os publicanos do tempo de Jesus. A elas é o próprio Deus que diz um sim claro e retumbante: sim à sua dignidade, sim à sua inclusão, sim ao seu desejo de uma vida mínima. Essas pessoas são acolhidas na primeira classe do Reino!
“Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte...”
Jesus Cristo é o sim de Deus às aspirações profundas da humanidade, especialmente das diversas categorias de oprimidos. Nele Deus se faz avalista dos sonhos de dignidade, igualdade e liberdade que nos habitam. Ele responde positivamente ao convite para trabalhar na vinha de Deus, para cuidar das ovelhas perdidas de todos os tempos e lugares. Seu sim não foi apenas da boca pra fora e nem uma resposta provisória e estratégica.
Jesus é também um sim a Deus. Seu sim ao Pai se expressa, tanto quanto no cuidar das pessoas e transformar as estruturas mentais, religiosas e políticas, no esvaziamento de toda superioridade prepotente, na eliminação de todo distanciamente prudente, no movimento de fazer-se próximo e ocupar um lugar ao lado dos últimos. Seu sim se mostra na identificação com todos os seres que morrem, mas especialmente com os que são torturados e condenados à morte violenta.
“Tenham em vós o mesmo sentir e pensar que havia no Cristo Jesus.”
O sim de Jesus e o esvaziamento ao qual este sim conduz não são uma ascese vazia que despreza a vida, mas um movimento de aproximação daquilo que é humano, de amor ativo e solidário, de verdadeira humanização. Paulo nos convida a assumir a postura de Jesus, a cultivar seu dinamismo, seus sentimentos. Ele nos ajuda a fim de que nosso sim à vida e aos irmãos que se mantenha no tempo. Ele abre um caminho no qual os pobres são tratados conforme o direito e os pecadores têm vez.
Deus pai e mãe, através do teu filho e nosso irmão Jesus continuas dirigindo-nos tua palavra-convocação. Às vezes esta palavra-convite nos desconcerta. Teu filho parece exagerar quando afirma que as pessoas tratadas como pecadoras precedem as ‘pessoas de bem’ no teu Reino. Isso não nos parece justo. Que Ezequiel nos ensine que os errados somos nós, e não tu. Que São Vicente de Paulo e São Jerônimo, cuja memória celebramos nesses dias, nos convençam de que este é um caminho possível, pois eles o percorreram. Que eles intercedam por nós e por toda a Igreja. Assim seja!
Pe. Itacir Brassiani msf

sábado, 17 de setembro de 2011




Explicação sobre a Logomarca do Ano Clariano Segundo o autor:
Santa Clara está em uma atitude de Contemplação, de leveza e alegria,seu corpo esta em forma de TAU,a marca dos eleitos e que Francisco de Assis toma como seu sinal predileto.


A Eucaristia está no coração de Clara, representando assim a centralidade do Cristo Pobre em sua vida.


A Igrejinha de São Damião recorda sua vida na clausura, a Clara de ontem.

A lâmpada acessa, a vida precisa de luz do mundo, a Clara de hoje.

O Globo, lembra a dimensão de sua espiritualidade espalhada no mundo inteiro, com único objetivo, a unidade da pessoa humana, da Ordem, da Igreja e do Mundo.

Os pássaros, recordam a liberdade sonhada e vivida por Francisco e Clara.


No hábito alguns traços da simplicidade, e da pobreza vivida por Clara, como conseqüência de sua identificação com o Cristo pobre.


No mapa se destaca a América uma vez que o evento.